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O MERCADO DE CARNE BIOIMPRESSA


A carne bioimpressa em 3D, considerada como carne cultivada ou produzida em laboratório, é uma abordagem inovadora e ambientalmente consciente para a produção de carne, representando uma mudança de paradigma na forma como encaramos os produtos cárneos tradicionais. Essa tecnologia, combina técnicas de bioimpressão e engenharia de tecidos para produzir carne a partir de células animais. No caso da carne bioimpressa, uma pequena amostra de células animais é coletada do animal, cultivada e multiplicada em laboratório.


Essas células são então organizadas (depositadas) em camadas e estruturadas para mimetizar a composição e textura da carne tradicional, possibilitando a produção de cortes como bifes, hambúrgueres e muito mais. Diferentemente, a carne impressa em 3D a base de plantas utiliza ingredientes como soja, trigo, ervilhas e várias proteínas vegetais para criar alternativas de carne que se assemelham ao sabor e a textura da carne de origem animal.


Essa é uma distinção importante a se fazer, pois atualmente temos a carne bioimpressa - a qual utilizamos células de animais - e o análogo de carne impresso em 3D - o qual não utiliza-se células, mas sim ingredientes a base de plantas!


A tecnologia de bioimpressão possui diversas vantagens, incluindo a redução do impacto ambiental da produção tradicional de carne, abordando preocupações éticas com o bem-estar animal e fornecendo uma potencial fonte de alimentos mais sustentável para a crescente população global.
A carne bioimpressa representa um passo significativo no mundo moderno em direção a uma abordagem mais consciente e humana ao consumo de carne.

Segundo a empresa de consultoria Exactitude Consultancy, o mercado global de carne bioimpressa deve crescer de $178,64 milhões em 2023 para $504,88 milhões até 2030, a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 16% durante o período previsto. O ano-base considerado para o estudo é 2022, e o ano estimado é 2023. Os anos projetados são de 2023 a 2030.


Impulsionadores do Mercado



Os principais fatores impulsionando o crescimento do mercado de carne impressa em 3D incluem:

  • Preocupações com Segurança Alimentar: Com o aumento da população mundial, a segurança alimentar é uma prioridade importante. A carne bioimpressa, fornece uma fonte consistente e confiável de proteína que pode ajudar a atender as necessidades alimentares da população em crescimento. Produzida em ambientes controlados, a carne bioimpressa reduz o risco de surtos de doenças que podem prejudicar a produção tradicional de animais.

  • Benefícios Sustentáveis: A criação tradicional de animais para o abate e alimentação, consome muitos recursos, contribuindo para desmatamento, emissões de gases de efeito estufa e uso excessivo de água. A carne bioimpressa tem uma pegada ambiental menor, exigindo menos terra, recursos e gerando emissões de carbono significativamente mais baixas. Isso a torna uma contribuição importante para uma cadeia de abastecimento de alimentos mais sustentável.

  • Preocupações com o Bem-Estar Animal: Muitos consumidores fazem escolhas alimentares com base em preocupações éticas com o bem-estar animal. A carne bioimpressa oferece uma solução eliminando a necessidade de criação em larga escala de animais e o seu abate para a alimentação. Essa abordagem está alinhada com as preferências dos consumidores, em busca de opções alimentares mais humanas e livres de crueldade.


Restrições do Mercado



O crescimento do mercado de carne impressa em 3D enfrenta desafios e restrições. Duas restrições notáveis são os altos custos de produção e a aceitação pelo consumidor:


Altos Custos de Produção

Um dos maiores desafios enfrentados atualmente pelo mercado de carne bioimpressa é o alto custo de produção. A tecnologia de bioimpressão, o ambiente laboratorial e os meios de consumo estéreis necessários para produzir a carne cultivada, são caros para serem estabelecidos e operados. Isso leva a um alto custo para os produtos bioimpressos, em comparação com a carne convencional.


A capacidade produtiva (escalabilidade) reduzida, também é um desafio no qual muitas empresas têm trabalhado para superar. A medida que o mercado crescer, os volumes de produção aumentarem e os protocolos forem melhores estabelecidos, espera-se que os custos diminuam. No entanto, pode levar algum tempo antes que as carnes bioimpressas possam competir em preço com os produtos de carne tradicionais.


Aceitação do Consumidor



A aceitação pelos consumidores das carnes impressas em 3D também apresenta uma restrição/barreira. Ainda existe hesitação entre os consumidores em relação ao conceito de carne cultivada em laboratório e incertezas quanto ao sabor, textura e qualidade. Superar isso, envolverá a melhoria da experiência gastronômica das carnes bioimpressas, por meio de avanços em formulações e técnicas de produção (além de um trabalho de marketing apropriado).

A educação do consumidor sobre a tecnologia, e os benefícios em comparação com a carne convencional, também ajudará a impulsionar a aceitação (e deve ser incentivado!). No entanto, mudar as percepções e preferências do consumidor é um desafio que demandará tempo. Alguns consumidores permanecerão céticos ou desconfortáveis com a ideia de carne cultivada. Em geral, a aceitação pelo consumidor é um fator-chave que determina a taxa de adoção generalizada dessas carnes (afinal, sem consumidor, sem vendas!).


Oportunidades de Mercado



O contínuo avanço da tecnologia de bioimpressão 3D, assim como no entendimento de biologia tecidual, revelou uma nova era de "bioinovação" e personalização na produção de carne impressa em 3D (e alimentos no geral). Um desenvolvimento significativo nesse campo é a expansão das ofertas de produtos, o que reflete nas projeções mercadológicas reportadas nos últimos anos.


E como você acha que está o cenário brasileiro diante tudo isso? Engana-se se você pensa que estamos por fora dessa tendência! Muito pelo contrário, no Brasil, a ANVISA tem realizado consultas públicas e, mais recentemente, foi lançada a RDC 839, que dispõem sobre diretrizes do uso de células como ingredientes para a produção de novos produtos alimentícios*. [tópico que iremos explorar na próxima semana]



Quando falamos sobre empresas brasileiras que atuam neste ramo, podemos citar a Cellva. Pioneira na produção de gordura cultivada em laboratório, a startup oferece uma alternativa inovadora, sustentável e ética a produção tradicional de carne.


Através de tecnologia de ponta, a Cellva cultiva células de animais em laboratório, direcionando-as para a produção de gordura, um ingrediente essencial para o sabor, textura e qualidade da carne. Essa tecnologia disruptiva elimina a necessidade de abate animal e reduz drasticamente o impacto ambiental da produção de carne, posicionando a Cellva na vanguarda de um futuro alimentar mais consciente e responsável.


E aí, se interessou? Quer saber mais?


Se você tem interesse em saber mais sobre essas tecnologias e - melhor ainda - aprender na prática como funciona, não deixe de conhecer o curso de Impressão 3D em Alimentos, que está com as inscrições abertas, clique no botão abaixo e venha conferir!




Referências para aprofundar os seus conhecimentos:

Cellva: https://cellva.com/pt-BR Upside Foods: https://www.upsidefoods.com/ The Good Food Institute: https://gfi.org/


 
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