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Produção de carne a partir de gases poluentes


Imagine se pudéssemos transformar gases poluentes em alimentos deliciosos. Esse é exatamente o objetivo compartilhado pela física Lisa Dyson e o engenheiro de materiais John Reed, colaboradores do Berkeley Lab, nos EUA. Unidos pelo desejo de enfrentar as mudanças climáticas, eles fundaram a Kiverdi Inc, uma startup pioneira que está revolucionando a maneira como encaramos a produção de alimentos.


A jornada da Kiverdi Inc. teve início nas décadas de 1960, quando a NASA explorava maneiras de alimentar astronautas, em voos espaciais prolongados. A proposta ousada de combinar micróbios com dióxido de carbono exalado pelos astronautas foi a semente que inspirou a criação da Kiverdi. Embora a ideia não tenha decolado na corrida espacial da época, a visão inovadora da NASA sobre reciclagem de dióxido de carbono para produzir alimentos serviu como alicerce para os desenvolvimentos da Kiverdi décadas mais tarde.


Kiverdi Inc: Transformando Dióxido de Carbono em Inovação

Fundada em 2008, a Kiverdi Inc foi concebida durante pesquisas realizadas no Lawrence Berkeley National Lab, na Califórnia. Lisa Dyson, física, e John Reed, engenheiro de materiais, viram na comida uma oportunidade para reduzir nossa dependência de recursos insustentáveis, como o óleo de palma. A startup, inicialmente focada em produzir óleos alternativos, utiliza um processo de fermentação alimentando micróbios com dióxido de carbono para criar óleos que imitam os tradicionais.


Com o apoio de investidores, a Kiverdi expandiu sua visão para abordar a produção de carne. Em 2019, surgiu a Air Protein, uma spin-off da Kiverdi, que visa produzir alternativas de carne e frutos do mar a partir do dióxido de carbono. A Air Protein utiliza uma abordagem única, convertendo CO2 reciclado, em carnes que replicam a textura e sabor de aves, suínos, bovinos, peixes e outras proteínas.


Do Laboratório para o Prato: Como Funciona o Processo

O processo inovador da Air Protein assemelha-se a fabricação de iogurte. Micróbios hidrogenotróficos são cultivados em grandes tanques de fermentação, alimentados com uma mistura de dióxido de carbono, minerais, água, oxigênio e nitrogênio. Por meio da fermentação, esses micróbios convertem esses insumos em uma farinha proteica, cujo perfil de aminoácidos se aproxima consideravelmente ao das proteínas animais.


Ao contrário da pecuária convencional, a fermentação permite a Air Protein produzir proteínas de carne sem depender de vastas áreas de terra, recursos hídricos ou emissões significativas de gases de efeito estufa. Este método de produção de proteínas oferece uma solução promissora, destacando-se como uma alternativa neutra ou - até negativa - em carbono para atender a crescente demanda por carne sustentável.


A abordagem inovadora da Kiverdi traz benefícios substanciais para o meio ambiente. Ao utilizar gases como dióxido de carbono e hidrogênio, a empresa ajuda a reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O método requer uma fração dos recursos necessários para a produção tradicional de carne, alegando uma redução de até 97% na pegada de carbono da produção de carne.

Além disso, a abordagem da Kiverdi evita a necessidade de desmatamento para pastagem, contribuindo para a redução das emissões de gases de efeito estufa associadas a destruição de florestas.

Ao reciclar CO2 em produtos alimentícios inovadores, a Air Protein e a Kiverdi estão pavimentando o caminho para um futuro onde nossa comida não apenas sacia a fome, mas também contribui para a saúde do planeta. Essa abordagem inovadora não só desafia as convenções da indústria alimentícia, mas também redefine a forma como entendemos a produção de carne. O potencial dessas iniciativas transcende a sustentabilidade e aponta para uma revolução na maneira como podemos alimentar o mundo.


Apesar dos avanços promissores, a Kiverdi enfrenta desafios cruciais. A escalabilidade do processo de fermentação, a aprovação regulatória e a aceitação do consumidor são obstáculos a serem superados. No entanto, se a startup conseguir superar esses desafios, sua abordagem inovadora pode contribuir na transformação da indústria global de carne.


Tecnologias inovadoras, como a desenvolvida pela Kiverdi, junto com demais abordagens, como a agricultura celular e a impressão 3D de alimentos, apresenta um horizonte promissor para o futuro da alimentação global, especialmente considerando o cenário desafiador em que o mundo se encontra. Se você tem interesse em saber mais sobre essas tecnologias e - melhor ainda - aprender na prática como funciona, não deixe de conhecer o curso de Impressão 3D em Alimentos, que está com as inscrições abertas, clique no botão abaixo e venha conferir!






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