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Bioimpressão 3D no Metaverso


Com a disseminação da impressão 3D convencional, percebeu-se que o limite da tecnologia era a nossa imaginação. Parecia que nada era impossível de fazer com uma máquina que

cria, do zero, uma peça tridimensional de forma personalizada. Assim, as pessoas começaram a explorar as possibilidades que a impressão 3D trouxe.


Hoje, já é possível encontrar casas, peças de carros, órteses médicas, peças de vestuário e até mesmo prótese para casco de tartaruga (feita pelos brasileiros Cícero Moraes e Paulo Miamoto), tudo feito com impressoras 3D. Sem contar as inúmeras aplicações em nichos de mercado não tão convencionais, tais como arqueologia, engenharia aeroespacial, confeitaria, paleontologia, ciências forenses e não menos importante, as tecnologias assistivas, que apresenta um dos maiores exemplos de impacto direto e imediato da contribuição da impressão 3D. Outro exemplo de aplicação é o encapsulamento personalizado para aparelhos auditivos, que hoje é a tecnologia utilizada na maioria dos aparelhos comercializados no mundo.


Com o avanço da ciência, os pesquisadores também começaram a utilizar a manufatura aditiva para as aplicações biológicas, adicionando células vivas ao material impresso.

E, assim, nasceu a bioimpressão 3D.


Quando ouvimos falar de bioimpressão 3D, a primeira coisa que passa na nossa cabeça é a impressão de órgãos prontos para transplantes. E, ultimamente, a maioria dos grupos de pesquisa espalhados pelo mundo vêm trabalhando para que esse sonho se torne realidade em um futuro próximo.


Mas é só isso que podemos esperar das bioimpressoras 3D?


De fato, vai muito além disso. A bioimpressão 3D é uma tecnologia inovadora e de inúmeras aplicações em diferentes áreas além da medicina, como em odontologia, veterinária, agro e alimentos. Mas o surgimento de novas tecnologias têm ampliado nossa visão de como será o futuro.


O Metaverso é uma das inovações que tem conquistado espaço nos últimos tempos. Com uma tecnologia que busca replicar a realidade com o uso de dispositivos digitais e criar um mundo virtual totalmente imersivo. Dentre as mudanças que essa tecnologia pode nos proporcionar, o maior impacto deve se refletir na área de e-commerce, onde segundo Marco Beczkowski, diretor de vendas e CS na Manhattan Associates, empresa global em soluções para a cadeia de suprimentos, algumas mudanças devem vir com o aumento das vendas no ambiente virtual.


“Entre os principais impactos que poderemos ver cito a redução em certos tipos de devolução como moda, acessórios e decoração, já que será possível experimentar virtualmente qualquer produto antes de realizar a compra. Além disso, haverá uma maior tendência de personalização, dado que as pessoas vão querer materializar looks criados exclusivamente para o Metaverso, o que deve aumentar o uso de impressão 3D.”


A bioimpressão 3D também pode ganhar muito com o avanço do metaverso, principalmente na questão da educação experimental. Com a ajuda da realidade aumentada, é possível criar fenômenos da ciência impossíveis de replicar em sala de aula, como mostrar a complexidade dos buracos negros, a interação molecular dos átomos e até mesmo realizar atividades de campo, tudo dentro do metaverso.


“Através do Metaverso, é possível ver os efeitos educacionais que são considerados enquanto analisa e experimenta a radioatividade tecnicamente e cientificamente” - Park and Kim, 2022

Com a possibilidade de criar treinamentos virtuais imersivos, é possível ensinar a biofabricação, na prática, e as suas diferentes tecnologias de deposição do material, como por extrusão, à jato de tinta e a estereolitografia.


O metaverso ainda pode revolucionar a experimentação científica no futuro, com a possibilidade de realização de testes in silico ainda mais fiéis à realidade, assim, podendo prever os resultados práticos de determinados experimentos.


E no Brasil?


O laboratório Biodesign, uma parceria da Dasa com a PUC-Rio, vem trabalhando com a expectativa de aliar as tecnologias de impressão 3D e do metaverso para auxiliar na área da saúde. Uma das ações mais recentes do laboratório foi a separação dos gêmeos craniópagos Arthur e Bernardo, que nasceram com os cérebros ligados.

Nesse processo, os cérebros foram impressos em 3D como forma de auxiliar na tomada de decisões dos médicos. Já no metaverso, uma equipe inglesa de médicos com experiência nesse tipo de caso pode se unir aos médicos brasileiros para assim discutir os próximos passos, podendo observar projeções das crianças em realidade virtual.


Outra frente de trabalho do laboratório é a simulação de cirurgias, que já vem sendo colocada em prática em uma parceria com o Hospital São Lucas Copacabana, no Rio de Janeiro.


“Um paciente de um caso complexo faz o exame no hospital. Nós baixamos essas imagens no laboratório, reconstruímos isso e colocamos em um ambiente virtual. E os médicos do hospital não precisam nem ir ao laboratório: eles podem se conectar dentro do metaverso e discutir o planejamento cirúrgico”, exemplificou o médico Heron Werner, um dos coordenadores do projeto. Nesse caso, a bioimpressão 3D poderia ser utilizada para construir uma simulação da região a ser operada, e assim possibilitar aos médicos que testes sejam realizados antes da cirurgia propriamente dita.




Ainda no aspecto hipotético, as aplicações da Bioimpressão 3D no metaverso são inúmeras. É plausível pensar que através de uma fotografia tirada de uma ferida, um médico remotamente no metaverso possa analisar o ferimento e, com o auxílio de uma bioimpressora 3D (em uma farmácia ou pronto atendimento), criar um curativo totalmente personalizado (estrutural e quimicamente) para o caso.


A associação da bioimpressão 3D e o metaverso trás grandes perspectivas para o futuro, e esperamos que os resultados possam revolucionar a forma como vemos o mundo.


E você, consegue imaginar a potencialidade da Bioimpressão no Metaverso?

Comenta aqui, possibilidades e estratégias para essa tecnologia no Metaverso - onde tudo é possível.



Matéria escrita por:

Lucas Maginador, engenheiro biotecnológico e analista de engenharia da BioEdTech.
Thaís França, engenheira biotecnológica e analista de inovação da BioEdTech.
Thiago Gomes, estudante de engenharia biomédica e estagiário da BioEdTech.


Referências bibiográficas

Park, S. M. & Kim, Y. G. A Metaverse: Taxonomy, Components, Applications, and Open Challenges. IEEE Access 10, 4209–4251 (2022).


DRULLIS, Gustavo. Dasa aposta em medicina no metaverso. 2022. Elaborada por Mobile Time. Disponível em: https://www.mobiletime.com.br/noticias/25/08/2022/dasa-aposta-em-medicina-no-metaverso/. Acesso em: 29 ago. 2022.


VOLPATO, N. Tecnologias e aplicações da impressão 3D. Manufatura Aditiva - Editora Edgard Blücher Ltda., [s. l.], v. 1, 2017. a. Disponível em:

<https://books.google.com.br/books?hl=pt-

BR&lr=&id=ni9dDwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PA15&dq=VOLPATO,+Neri.+Manufatura+a ditiva:+tecnologias+e+aplica%C3%A7%C3%B5es+da+impress%C3%A3o+3D.+Edit ora+Blucher,+2017.&ots=Jq5JfBHtXL&sig=r4U01FkC3gYX98_Hka533eLb7RA>.


SILVA, J. V. L. Da; MAIA, I. A.; CNRTA-CENTRO NACIONAL; 2014, Undefined.

Desenvolvimento de dispositivos de tecnologia assistiva utilizando impressão 3D. Reflexões sobre Tecnologia Assistiva - CTI - Renato Archer, [s. l.], n. I Simpósio Internacional de Tecnologia Assistiva do CNRTA, p. 33–40, 2014. Disponível em: <https://snct.cti.gov.br/sites/default/files/images/cnrta_livro_150715_digital_final_seg unda_versao.pdf#page=39>.


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